terça-feira, 18 de novembro de 2008

Nunca estamos nos melhores dias

"Nosso presente não tem mais a luz triste, preto-e-branco do passado; tem cores vivas, digitais, internet e progressos aparentes, mas tudo encravado num mar de miséria e atraso. Basta ver o rosto do povo em qualquer rua. O que chamamos de Brasil moderno é uma ilha maldita de Caras, uma selva de celebridades inúteis, se batendo, se comendo, se exibindo numa ociosidade patética.
Como nos veremos do futuro, daqui a décadas? Não veremos os ridículos fracotes mal alimentados dos anos 40 e 50; mas veremos um show de mediocridades travestidas de "avançadas". O Brasil está tonto, perdido entre novidades técnicas, cercadas de miséria e estupidez. Somos um gigante com os pés metidos na lama, na corrupção, na violência, mas posando de tecnológicos e cibernéticos. Como criaremos um presente moderno sem reformas no Estado e no Judiciário? Como ser "moderno" com freiras assassinadas e matadores soltos? Como - se os colarinhos-brancos riem na cara do País, impunes para sempre?
Assistimos a chacinas diárias entre chips e websites. Temos Ferraris nas ruas e tiroteios em Ipanema. High School Musical na TV e crianças esquartejadas na vida real. Vivemos um narcisismo brega, desinformado, balbuciando reclamações vagas, sem união para protestos, sem desejos claros para vocalizar.Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter" futuro; é nunca estar no presente".
(Arnaldo Jabor - Estadão - Caderno 2 - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081118/not_imp279219,0.php)

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